quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pobre Indivíduo

Sentado em frente de um computador, suas ilusões vão escapando a cada teclada. Não tem mais vontade de si mesmo. Agora mas do que nunca, costuma ficar observando as letras que vão se formando na tela do monitor, enquanto digita.


Um pequeno som é emitido de longe, parecia uma batida de porta; só parecia. As ilusões estão ficando cada vez mais intensas de novo. Observa fixamente o botão do volume da caixa de som do seu computador, e abaixa lentamente. Levando a música Ninth Symphony de Ludwig van Beethoven fica mais silenciosa.


Agora o silêncio toma conta do ambiente. O som emitido de longe parecia ter parado, causando um grande alivio no indivíduo, que se manteve assustado por algum tempo.


Aumenta o volume suavemente, o barulho da música faz sua mente viajar a cada nota produzida pelos instrumentos, com um som frenético dos acordes. O indivíduo cria ilusões para se manter em sintonia com o som no seu ambiente. Parecia tudo normal dentro do seu pequeno universo, e o seu corpo estava relaxado novamente.


No momento que se segue, deixa de dar ouvido ao som da música, e passa a escutar uma voz que se segue pelo corredor da sua casa. Levanta-se assustado e caminha até a porta, para ver se havia algum familiar lhe chamando. Percebe que todos tinham saído, e não havia ninguém na casa além dele mesmo.


Em cada passo que dava até o portão de saída da frente, a voz sumia. Estava ficando apavorado, e sua paranóia crescia a cada momento. Dessa vez a voz estar dentro do quarto, se entrelaçando com a música de Beethoven. Parti correndo até o quarto para entender aquela confusão, e se depara com ele mesmo.


Sua própria imagem que lhe olha fixamente nos olhos, e articula cada parte do corpo. Com isso tudo, o indivíduo não consegue entender, não consegue entender a si próprio. E essa verdadeira confusão que criou e para se deparar com seu ego. Seu verdadeiro personagem que se manteve distante por toda a vida, e nunca fez questão de buscar sua própria pessoa.


Onde estou eu agora?