quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dama da noite

"Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui. continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Parada pateta ridícula porra-louca solitária venenosa. Pós-tudo, sabe como? Darkérrima, modernésima, puro simulacro. Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada."


Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ao mestre José Saramago


"As palavras que me ganharam. O escritor que silenciou parte da minha imaginação"

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sempre termina assim

Depois de tentar suicídio três vezes com uma faquinha de manteiga e ter fracassado, decide afogar suas mágoas numa festinha que lhe faça parecer diferente entre tantas pessoas iguais. Blá blá blá pra cá, blá blá blá pra lá, uns copos de tequila, uísque, chopp e um barulho infernal de guitarra distorcida. O dia começa a amanhecer, chega em casa e vai para a cama dormir. Acorda tarde, deprimido com umas olheiras e a boca seca. Água, Coca-Cola e um Melhoral para um corpo preguiçoso. Escuta um pouco de Sigur Rós e dormi novamente. Acorda tarde da noite, com o corpo cansado e sem saco para fazer alguma coisa. Percebe a coincidência. Sempre termina assim... Sozinho. Trancado em um quarto escuro, exausto de um tempo não vivido perfeitamente e olhando para as paredes com um ar de solidão. Umas tentativas de poesias escritas no papel, na parede, e na mão. Suas idéias são poucas e seu pensamento vago. Procura alguma coisa interessante para fazer: Orkut, ninguém no MSN, conversas bestas no bate papo da UOL, e vídeos que assiste sem interesse no youtube. Ah! Uma pessoa simpática no bate papo inicia uma conversa:
– Olá, tecla de onde? – diz a pessoa desconhecida com o apelido de “carinhosa”.
– De algum lugar (haha) – responde o entediado.
Os dois saem da sala e perdem a chance de aprofundarem uma companhia pelo resto da noite.
Desliga o computador e vai para a cozinha. Come alguma coisa nutritiva para que seu estômago fique farto e pare de roncar. Volta para o quarto e fica tocando um pouco de violão: “plen, plen, plen,” faz o som das cordas do violão. Liga o computador novamente e tenta escrever alguma coisa para postar no blog (que dificilmente alguém ira ler com tanto entusiasmo). Um conto, uma poesia, palavras de conforto, trecho de música, frases de algum famoso? Ah! Qualquer coisa, é só para atualizar. O entediado vai consulta suas influências: Rubem Fonseca, Clarice Lispector, Gabriel Garcia Marquez, Caio Fernando, Charles Bukowsk... Nenhum deles. Acaba postando um parágrafo de oito linhas, com umas palavras de felicidade. “Felicidade! Felicidade! Fe-li-ci-da-de!”. Caralho! Desista. Hoje não foi um bom dia. Cansou e foi dormir. E em seus sonhos se passaram cenas absurdas: “Estava atravessando o sinal, uma moça de cabelos cacheados lhe parou e lhe deu um beijo. Um cachorro de três patas late para um pássaro que está no fio do poste. Uma senhora faz sinal para um taxi, e um garotinho corre atrás do papagaio”.
– Ei moço, acorde. Acho que já está bom de bebida para você. – Disse o garçom.
– Ãh? Como?
– Você acabou dormindo aí no balcão. Sempre termina assim para os sozinhos que escolhem essa companhia. Afinal, você leu a terceira linha do texto: “[...] Blá blá blá pra cá, blá blá blá pra lá, uns copos de tequila, uísque, chopp [...]”.

*Resultado de um dia deprimente, após as festinhas solitárias na noite.