quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vai a onda Vem a nuvem


Senti a água gelada do mar tocar-me os pés enquanto ficava observando-os a afundarem na areia, assim como também meu relacionamento com Lilianne estava afundando. O vento batia-me o rosto e me dava vontade de sair voando junto com ele. Segurava o celular enquanto Lilianne estava no outro lado da linha esperando minha resposta. Não queria dizer nada, se possível, queria ficar calado pelo resto do dia ao invés de dizer que concordava com o fim de nosso relacionamento. Era tudo estranho, era tudo diferente. Pensar que passei doze anos dividindo sentimentos com a pessoa que mais amei na vida, que ainda amo. Não poderia deixar que ela se fosse assim para Portugal e acabar de vez com nossos sonhos. Iríamos ficar distantes, mas sei lá... Poderíamos manter contato, escrever cartas, mandar emails. Estava me sentido muito mal. O celular escorregou da minha mão e caiu na água.

Doze anos não são doze dias. Meus pensamentos começavam a rodear minha mente. Pensava que talvez Lilianne tivesse conhecido alguém ou dado uma chance à Bárbara. Esses pensamentos me incomodavam e aumentavam meu desanimo. Sentei na areia e deitei. Talvez uma onda forte batesse em mim e me levasse para o fundo do mar junto com os peixes. Ouvia o som do mar e o das gaivotas riscando o céu. Pude sentir o peso do meu corpo sobre a areia e a pulsação do meu coração que parecia rasgar meu peito. Não sei, mas tudo que queria era abraçar Lilianne e fazer com que ela desistisse da idéia de terminar nosso relacionamento. Sua imagem me vinha à mente, seus olhos castanhos claro, seus cabelos cacheados, sua pele macia e doce. Eu realmente estava morrendo sem poder dar o último suspiro.

A tarde estava nublada e a cor do céu era linda. Um escuro denso se cobria sobre mim. Talvez Lilianne estivesse infeliz em seu quarto com um choro seco e silencioso abraçada ao travesseiro, usando uma camisola de seda branca com estampas florais e apertando bem forte o celular em sua mão esperando que eu retornasse a ligação. Iria sentir falta de seus beijos, de seu sorriso, do seu olhar e dos dias nublados de novembro que comemorávamos nossa paixão. Os galhos das árvores balançam soltando suas folhas que caiem sobre a areia. Tudo se perde, tudo se vai; como a onda do mar indo e vindo. A nuvem escura chegou, e trouxe junto com ela o vento que me arrasta para o mar para que eu possa encontrar o que ele levou.

Dedicado à Ana Carolina Duarte