sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Solilóquios


Amar a bombordo, amar a esquiva. Amar os traços, amar ao vento.

Olhar a proa, olhar para dentro. Olhar o destino, olhar o sentimento.

Respirar a tempestade, respirar o silencio. Respirar o oco, respirar a água.

Sentir o desejo, sentir a esperança. Sentir o espinho, sentir a despedida.

Chorar o triste, chorar a felicidade. Chorar a raiva, chorar o sorriso.

Crescer ao tempo, crescer ao cair. Crescer lutando, crescer voltando.

Tocar olhando, tocar lembrando. Tocar para não soltar, tocar... tocar.

Voar a cima do nível (ou no seu nível), voar alto. Viver simples, viver com a vida.

domingo, 23 de dezembro de 2012

De dentro

Olho com o som dos movimentos do tempo, olho com o toque e o sentir do respirar. Observo o mundo se expandir dentro de mim e criar outro conceito para as coisas da vida. Recrio formas de andar e os passos se divertem com a coreografia do deslizar no espaço que parece ser uma linha estreita imensa. Os objetos se transformam em artes para serem emoldurados e tornarem-se áureos. Os sorrisos se misturam com as bolinhas de sabão e se pedem com um pequeno estouro no ar. A dança dos fios lisos, leves, são os mesmos que as dos cachos. Eles dançam ao ritmo do batuque tornando-se único. O abraço se retrai no olhar, sentimentos são passados como raio magnético, a mensagem é levada a bateria cardíaca que pulsa querendo sair pela boca. São palavras presas escritas pelo corpo. As letras surgem como alma, e a pele recebe esse contato com o outro num desenho transparente.

próximo também lembrar coelho luneta farol saudades navio manhã moldura tamborete vindas saber pouco pele amor não motivo impulso passagem estrelas música fotografia palavras vasto oposto discurso grão viagem mar garrafa frenético grama arte vela movimento sorriso substituir férias esquecimento pano liberdade chuva barulho palco contato

No movimento da água a pintura se desfaz dando cor a passagem da correnteza. As letras somem levando o desapego restante de dentro.  O olhar se perde na nuvem de pássaros azuis que surgem do mar e giram no céu laranja-cinza, dando cor a um novo fundo. Sinos dobram como risco. Poesias escritas ao vento indicam o caminho oposto da linha estreita. A força o conduz com chutes pesados, a pele protegida por pétalas brancas o lava. O olhar de dentro senti o mundo criado, a vida não tem tempo, a vida feliz é a linha embolada na palma da mão. O resto é escrito numa folha de papel amassada e colocado dentro de uma garrafa para o mar levar. Agora a tela é livre para ser pintada nas cores do silêncio. 

sábado, 8 de dezembro de 2012

De lá pra cá e a idade do tempo de hoje

Naquela tarde chuvosa tudo estava calmo, menos o céu. O vento trazia um sono preguiçoso e como de costume, Alberto se embalava na rede e ficava ali até o anoitecer. Seu corpo meio preguiçoso atrofiou-se. Criou esse costume de descansar ao chegar à velhice e não o trocava por nada. Muitos não sabem, mas quando atingimos a idade dos 80, nosso corpo pede por descanso. A paciência pelas coisas, o entendimento em aceitar as novidades, a readaptação com a contemporaneidade, a juventude precoce em se adaptar com o meio, etc. Alberto tinha 76, e já estava treinando para quando completasse 80. Puxava um ronco baixinho que pouco se ouvia por causa do barulho da chuva, parecia que aquelas gotas caiam como pedrinhas na tela.  Raimunda, sua esposa, o olhava descansar assim como se vê os ponteiros de um relógio girar. Era hora de preparar o café. Se levantou da cadeira com uma leveza que deixava a velhice morrendo de inveja. Aceitava tudo que era novo, se sentia bem e ficava feliz em descobrir um novo olhar para as coisas do mundo. Reconstruía seu modo de vida com os passos da realidade atual. Tinha chegado aos 70 com uma energia de 30. Gostava de estar sempre na atividade, cozinhava, bordava, corria pela manhã, escrevia, cuidava de suas plantas e ria com as piadas do facebook. Sempre mantinha mente e corpo trabalhando, assim continuava com sua autoestima. Seguiu até a cozinha em busca de expectativa para lhe manter ativa e tentar reanimar Alberto. Deu um leve sorriso sarcástico e continuou a admirar a vida. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desdobramento

Existia aquele lugar secreto que se chamava o Jardim dos Amores. Era um imenso quintal onde havia um lindo jardim. Aquele jardim pertencia à Laura, lá ela compartilhava conversas, amores, expectativas e sonhos. Era um lugar em que sempre se sentia bem. Para Laura, passar as tardes no quintal era como voar. Certo dia compartilhou aquele imenso quintal com Caio, seu primeiro amor, e lá o tempo tinha horas que rebobinavam lembranças a todo instante. Laura sentia o silencio lhe abraçar e dividia com Caio o sorriso que lhe mostrava a importância que um fazia ao outro. O lugar passou a ser como o mar que ia e vinha ao som do vento. Laura passou a ser que nem Caio, com dúvidas, vontades, sentimentos, esperanças. Estava amando.

Laura e Caio brincavam de que eram namorados para disfarçarem seus sentimentos. Isso fazia com que não se separassem e nem criassem expectativas um sobre o outro. Tinham a certeza de suas escolhas e conversavam sempre de como seria futuramente quando um se enchesse do outro. Chegavam a conclusões sobre assuntos que ninguém entendia e concordavam sempre com a opinião oposta.  Gostavam de coisas diferentes, mas tinham um jeito em comum, eram parecidos na desobediência. Ao mesmo tempo em que iam se acostumando com o jeito um do outro, deixavam de perceber pequenos detalhes de suas diferenças. Levaram isso até descobrirem que não estavam mais brincando, e cansaram. Seguiram a mesma linha, mas com pontos diferentes. Talvez se lembrem um do outro quando encontrarem características parecidas.

*São poucas às vezes que costumo dá importância ao que realmente gosto. Percebo depois, quando já estou gostando e não faço a mínima ideia de como começou. As coisas vão acontecendo em sua vida e você só tem que saber direcioná-las. Perde aqui pra ganhar logo a frente. Queria pedir desculpas ao poucos leitores que ainda lêem o blog, se ainda tiver leitores. Eu hoje mesmo não estou nem pra mim, mas consegui escrever esse textinho que poderia ser rasgado.    

domingo, 4 de novembro de 2012

Derramando Shakespeare

A sombra brinca no canto da parede como o reflexo da luz na água. Pela estante o olhar se deita sobre uma porção de devaneios instigantes-contestadores-amáveis-singelos-eróticos. Minha utilidade em desdobrar pensamentos mede esforços para lhe dá com o mundo e aceitar o óbvio, o grito aqui dentro é um grande silêncio. Lá fora há uma grande possibilidade das coisas me proporcionarem vontades inspiradoras, mas elas acabam se dissolvendo pelo caminho por que o real me faz acordar e quebrar todo o encanto. Meio que balanço sobre as dúvidas de Hamlet e acabo-me encontrando no jogo. Levanto, luto pra ganhar. Ainda ouço murmúrios. A arte me sustenta e faz lembrar o que sou, meu olhar através dela é um descobridor de mundo. Procuro me ater na trajetória de um passado para me adaptar no presente e prosperar no futuro. Por trás do choro aparece um sorriso que acorda minhas imaginações, amanhã talvez encontre alguém para deitar sobre a grama molhada e descobrir segredos. Vou dormir com uma leve esperança de que isso não aconteça. Não me importo, pois a bela-música-velha que ouço me inspira e faz sentir o gosto de um tempo que vivi. Transformo toda essa beleza num amor eterno, num orgasmo como a de Romeu e Julieta, e transbordo de felicidade.

sábado, 13 de outubro de 2012

Manaifá

Manaifá, índio da Floresta Amazônica, observava entre as árvores o que sua imaginação desenhava. Ficava assistindo a maravilhosa floresta ao qual criara. Se um dia se afastasse de sua terra, fecharia os olhos para viver novamente o sagrado natural. Em seus caminhos trilhava junto com seus seres criados: Uirapurus, Curupiras, Sacis e encantarias. Manaifá, menino que a Floresta Amazônica tem a graça de carrega, voa alto em meio às árvores e se joga no rio que corta as plantações.

Manaifá tem a força dos cipós. Valente como a onça, ataca os caçadores com seus gritos – UíUíUíííí... À noite, torna a dançar em torno da fogueira levantando um “Alô” junto com a fumaça. Menino danado que escapa somente das repreensões da Mãe, se diverte quando alguém cai em suas travessuras. Manaifá é assim, menino criado na natureza que vislumbra o seu próprio imaginário e enfeita o mundo.

*Aos que já foram criança um dia.

sábado, 29 de setembro de 2012

Quando percebeu que havia posto as palavras em cima das outras palavras, seu coração disparou. Dramatizou por alguns minutos até ficar mais tranquilo. Respirou e se tocou que logo depois viriam outras palavras que iria o fazer esquecer daquele pequeno susto.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Linha

O vento fazia a curva na esquina da rua em que eu morava. A esquina era esquisita, tinha um poste que a luz nunca acendia quando anoitecia e isso fazia daquele lugar um lugar esquisito. A partir das 18h aquela esquina não existia. Existia somente o nada. De dia passava gente a todo o momento com destinos diferentes. Passava gente correndo, gente lenta, gente apressada, gente que parava e ficava ali a espera de outras gentes, ou parada por leseira mesmo, sem ter o que fazer. A esquina era bem estreita e as pessoas se chocavam a todo o instante quando vinham em sentidos opostos. A esquina era o começo de uma rua imensa que dava para outra rua por onde passavam muitos carros. Nunca fui até o final, observava apenas do inicio. Meu limite naquela rua era somente até onde morava.

Tinha dias em que aquela rua era assustadora. Ela ficava olhando pra mim e rindo, meio que me esnobando. Dentro do seu olhar o cenário todo tremia e o riso tinha um som agudo irritante. Eu ignorava aquilo, passava direto e entrava as presas. No outro dia quando vinha passando, um velho parou na esquina e fez sinal para o fim da rua:

 - Ali mora o futuro, garoto. Essa rua é apenas uma pequena porcentagem da vida. Você já foi até o outro lado?"

- Ainda não, respondi.

- Vá, siga e vá. Hahahaha...

Aquele velho assustador, cujo nome nunca irei saber, me deixou mais curioso em relação ao final daquela rua. Fiquei observando ele sumir na esquina e parei no canto, bem rente a parede. Era um tempo agoniante e aquele espaço entre a esquina e a rua era pequeno demais para ficar ali. Comecei a andar e por curiosidade passei direto. Fui até o final da rua. No final da rua exista uma estrada imensa, mais ou menos do tamanho do mundo por onde o vento percorria e as sobras das nuvens caminhavam. Era uma estrada abandonada. À noite, a luz da lua lhe contava historias. Pensei que nela passavam vários carros com destinos diferentes.

domingo, 12 de agosto de 2012

Pequena Dedicatória

Uma vez quando eu fui criança, perguntei pra minha mãe porque meu pai não estava em casa, ela apenas me olhou. Só vim descobrir o sentido disso muitos anos depois quando estava no mesmo caminho. Meu pai tem um jeito que muitos não gostam; até eu não gosto às vezes. Mas têm qualidades que me fazem amar muito ele, esse é o espirito. Todo filho admira o pai, é como se fosse o herói da sua vida. Dedica-se em seguir os mesmos passos para ser igual. Dizem que pareço com meu pai. Eu até que concordo porque aprendi e continuo aprendendo muitas coisas. Mas acreditem, sou muito diferente. Hoje como é dia dele, fiquei pensando nas besteiras que já fiz e que podia magoa ele, então voltei a ser criança para querer ser que nem aquele herói. Por isso inventei de fazer uma pequena biografia para descobrir o que sei do meu pai.

Trabalhador e persistente: assim é Pedro Paulo. Nasceu numa família pobre e aprendeu desde cedo que as conquistas veem do suor das lutas, e que para realizar seus ideais teria que enfrentar os problemas da vida sozinho. Sempre teve poucos amigos, mas era receptivo com todos que o rodeavam; gostava de prezar por sua família. Filho de pais separados assumiu a responsabilidade de cuidar de sua mãe e de seus irmãos. Com essa obrigação, sua personalidade ser tornou forte e rude, o que lhe feria por dentro. Não sabia nada de coisa alguma, aprendeu com as pancadas que a vida lhe dava.

Para Pedro, descobrir o caminho para subir era difícil. Nunca ficava parado esperando as conquistas, pensava rápido e agia com dureza. Isso lhe ensinava coisas sobre a existência e o sentido das nossas ações na escolha da vida. Preferia não ter medo de nada e se enganava em ter a certeza de que isso não existia. Medo era desculpa para ficar parado, e fazia disso um mote para construir e realizar seus sonhos: ter uma casa, um carro, um emprego. Esses sonhos lhe davam perspectiva e força, mas sabia que para tê-los a dor e o cansaço fariam parte.

Na juventude trabalhava para aprender; levava desaforos e nunca contava com ajuda. Tinha que se virar com o que tinha, era preciso saber perde para se chegar onde queria. Passou fome, decepção, e problemas com a justiça. Por mais que fosse tentador, nunca pensou em desistir. Tinha o instinto do ser humano lutador: o de querer sempre mais. Mesmo não sendo formado, aprendeu na faculdade da vida sobre sonhos, derrotas, conquistas e humildade; coisas que lhe qualificavam como pessoa. Sua maior alegria foi a de sempre trabalhar e de ver seus filhos seguindo os seus passos com a mesma disposição em busca do conhecimento. Conhecimento era saber sobre a vida. Em seu momento pessoal se diverte e se estressa assistindo futebol. Gosta de música popular e comer bem.

Pedro é observador e carrega em seu olhar coisas que a maioria prefere não procurar saber. Ainda tem que passar por mais coisas para pode viver e aprender. Nunca pensa em perder o que tem, por isso tem a ideia de construir sempre mais. Que o trabalho sempre fará parte de sua vida e que mesmo quando não tiver mais forças continuara lutando. Pedro não se importa com que os outros dizem, faz seu trabalho e acredita que se perde terá que recomeçar tudo novamente. Sempre confiou em si mesmo e traz desde cedo essa lição.

Valeu pai. Mesmo não estando presente obrigado por me lembrar disso.

Bruno, pai e eu



sábado, 11 de agosto de 2012

Das tentativas

Tentei contar quantas vezes olhei nos teus olhos para sorrir e me perdi. De quantas vezes te abracei para me fazer me sentir bem, de quantas horas precisei para segurar isso no tempo. Parei pra ficar pensando de quantas vezes pensei na poesia dos nossos dias. Nos teus lábios, teus cabelos, tua pele, no prazer da vontade louca de te amar sem ter nada a perder... Das vezes que tentei me controlar. Sábia que a cada passo a distância se aproximava, mas não recuei porque acreditava que poderia descobrir mais.

Tentei mostrar minha falta de humor, meu jeito ridículo para lhe dar com as coisas. Tentei não errar. Tentei tantas coisas para mostrar uma dedicação. Tentei mudar. Às vezes tentei não saber o que eu já sabia só para saber de novo. Tentei fingir. Tentei tantas coisas e deixei de tentar tantas outras. Tentei ser outros pra segurar um pouco, tentei fazer com que tentasse também. Tentei mostrar. Tentei até a última tentativa de se tentar. Aí parei. Parei pra ficar lembrando de nós e de quantas vezes eu tentei.

sábado, 21 de julho de 2012

Logo ali.



*Navegar, sempre navegar... em direção a tudo que amamos.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A tendência é sempre melhorar

A diferença? A diferença deve ser tudo isso que vejo por aí. Ainda não sei ao certo se é tudo, mas me certifico de que seja algum ponto. Possa ser que eu seja o ponto de partida dessa diferença. Por isso acho tudo diferente. Vejo que é difícil começar tudo novamente. Leio as palavras daqui e percebo que falhei (ou não). As coisas nunca saem exatamente como planejamos e os sonhos serão sempre sonhos se deixarmos passar (deixei passar muitos e alguns tenho orgulho de dizer que conquistei). Você vai construindo aos poucos sem querer abrir mão de perder o que já tem, e as quais você perde, tem outras melhores no lugar delas. Hoje vejo que meus pensamentos são completamente diferentes de anos atrás, mas ainda assim os considero imaturos com um ar de que eu não sei nada sobre nada, e é verdade.

Sinto que melhorei bastantes com o passar desse tempo e que sou muito para o que eu era. O engraçado é que ainda não sou nada e nem tenho nada do que eu queria naquele tempo, mas tenho outras coisas que foram aparecendo e me sinto tão bem com elas. Nessa minha nova mudança, as dúvidas são muitas, os pensamentos rápidos e o tempo pequeno demais. Há também novas regras e novos problemas (sempre iram ter). O de mais ainda não sei, mas o de menos disso tudo é se acostumar.

O mundo está mudando tão rápido que nem percebemos; as palavras daqui estão mudando também. Dizem que somos o que escrevemos, mas ainda não sou uma coisa fixa para escrever o que sou. Procuro mudar com tudo e com todos para ser alguém e isso é difícil já que estamos seguindo sempre em frente. Sento para escrever o que realmente sou e aparecem várias referências, muitas ideias, visão de mundo completamente diferente que já vivi. A gente quer sempre viver como nós mesmo e acabamos vivendo como os outros, pelo menos os quais admiramos. E quando somos os que admiramos, a tendência é sempre melhorar.

 Às vezes eu sou tu, mas gosto de ser eu mesmo: o bernard. Valeu blog por existir. Tenho que continuar caminhando nesse recomeço.

terça-feira, 10 de julho de 2012


Eu que experimentava uma sensação boa só pelo fato de estar com ela, não queria que o tempo existisse. Éramos como um livro sem fim, em que a história continua nos pensamentos. 

domingo, 1 de julho de 2012

Você

Eu que já não consigo ser eu, sou você.
Sou você por todos os instantes.
No respirar, no pensar, no sentir, no fazer.
Sou você porque sei que já não consigo viver sem você.
Sou suas palavras, sou seus sentimentos.
Mesmo que eu saiba que eu serei eu sempre,
Digo para mim mesmo que sou você...
E isso é maravilhoso.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Boa parte do que eu já passei, senti e pensei, está registrado nesse blog; e como isso é um espaço aberto, pretendo continuar escrevendo coisas que futuramente poderei achar idiotas. Mas ultimamente tudo mudou tão rápido para mim que nem sei por onde começar nessa minha nova fase. Queria apenas voltar a escrever.

domingo, 18 de março de 2012

Eu tentei

Eu descobrir que a paixão dele tinha terminado quando o vi olhar para aquela mulherzinha do apartamento em frente. Há dias venho seguindo os seus passos e percebendo o jeito como reage as minhas conversas. Ele não corresponde mais aos meus sorrisos, aos meus carinhos, a minha forma de amar. Sabia que já o tinha perdido, mas não queria me convencer dessa derrota amorosa que a vida nos dar. Faço ginástica para manter o corpo perfeito, uso roupa sexy, assisto futebol, cozinho sua comida preferida. Tentei investir tanto em nossa relação, mas não adiantou nada. Procurei até a Mãe Delamare pra ver em que situação me encontrava. Foi dinheiro perdido quando a ouvir dizer que ele ainda gostava de mim. Papo furado.

Semana passada fizemos sete anos de casados. Ele não podia sair para jantar, disse que estava ocupado com o trabalho. Nem sei porque ainda estamos juntos, levando aos trancos e barrancos nosso casamento. Tenho que desaprender a amar ele ou fazer com que ele goste de mim novamente como antes. Sonho em ter alguém ao meu lado por toda vida. Talvez devesse me apaixonar novamente. Por isso que hoje, ao acorda, quis mudar o rumo e seguir um caminho diferente, estava na hora de mudar e perceber que poderia tentar algo prazeroso que me fizesse esquecê-lo. Não sei não, mais nunca pensei em traí-lo, e isso não supre a minha vontade de vingança. É muito barato pagar na mesma moeda. Pensei em sumir, mais aí eu é que iria ficar sofrendo por que pensaria nele. Safado do caralho.

Talvez eu devesse conversar com ele e terminar logo. É, é verdade. Já sofri demais, e não me arrependerei nenhum pouco de tomar essa atitude. Poderíamos ter um casamento bem legal, divertido, apaixonante em que um ajudasse o outro. Se ele não percebe essas pequenas falhas, eu é que não tenho que ficar lembrando. Decidir ser sozinha. Ele que fique com essas raparigas sem amor próprio. Eu hoje tenho isso de sobra.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Arthur e Alice

Arthur e Alice moram num pequeno apartamento que fica na Av. Tiradentes, próximo ao Banco do Brasil, centro da cidade. Decidiram morar juntos desde o tempo da faculdade, quando se conheceram. Foi paixão a primeira vista. Arthur era um rapaz tímido, desastrado, educado, inteligente, que conversava sobre cinema e assuntos de entretenimento. Alice era apaixonante por seu jeito calmo e o modo como conversava. Gostava de arte, Chico Buarque e tomar coca-cola enquanto lia. Todos diziam, incluindo os professores, que a história deles já estava escrita, só faltavam se conhecerem. Durantes as aulas trocavam bilhetinhos apaixonados, olhares, beijos, sorrisos e ideias que contribuíssem no trabalho. Pareciam duas crianças felizes tomando soverte enquanto assistiam desenho. Nunca se cansavam. Muito diferente do momento que se encontram agora.

Como o tempo de faculdade chega ao fim e cada um deve seguir seu destino após esse tempo, Arthur e Alice se imaginaram distante um do outro e sentiram saudade ao se despedirem. Arthur convenceu Alice de não voltar para casa de seus pais e lhe fez o convite para irem morar juntos em um apartamento. Alice aceitou, pois sentiria falta de alguém ao lado durante o dia. Só não imaginou que o dia a dia virasse uma rotina enjoada após um ano e três meses de convivência. Em tão pouco tempo juntos, o amor que sentiam chegou ao ponto em que a rotina cria o tédio, o tédio cria o cansaço, e o cansaço carrega inúmeras possibilidades de acabar com um relacionamento.

Alice, debruçada na janela, observava o engarrafamento na Av. Tiradentes. Suspirava e tentava pensar em algo legal para fazer naquele fim de tarde. Arthur, deitado na cama, tentava se concentrar na leitura de seu livro. O que não estava acontecendo... logo desistiu. Ficou observando Alice.

- Alice, não vem deitar?

- Acabei de sair daí, vim respirar um pouco.

- [...]

- Acho que deveríamos dar um tempo – disse Alice, aflita e com um raciocínio que exigia um esforço para pensar nas coisas que dizia. O que fez com que Arthur ficasse calado por sete segundos. Também estava com o raciocínio fraco.

- Por quê? Tu não me amas mais?

- Deixa de ser idiota, não é isso.

- O que é então? Sexo? Eu não consigo mais ti comer como antes?

- Porra Arthur, que indelicadeza, vai-te-fuder. Só pensei que poderia ficar um tempo sozinha.

Alice foi para o banheiro e se trancou. Ficou com um choro seco preso na garganta, imaginando que as coisas tinham chegado ao fim. Arthur, nervoso com o que disse, se levantou meio atrapalhado e caiu, dando de testa no chão. Caiu tão violentamente que Alice ouviu o barulho e se assustou.

- Amor, eu me bati. Tá doendo. Me desculpa.

Alice, ao ouvir as tais palavras, não sabia se ria ou se chorava, sentia raiva de tudo, mas sabia que logo passava. Percebeu que as coisas às vezes precisam ser entediantes/enjoadas/tristes/cansativas para depois ficarem animadas. E que se fosse embora, quem iria lhe fazer rir e quem iria cuidar do desastrado do Arthur? Como já disseram, a história deles já estava escrita.

*Tá bom, eu sei que é meio brega o que escrevi, mas imaginei como um relacionamento pode passar por um momento entediante numa forma divertida. Afinal, se um casal se gosta tanto, devem perceber as pequenas idiotices que podem fazê-los se separarem.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

No meio do caminho tinha uma flor...

“Quero viver ao lado da mais linda flor para sentir que sou feliz ao seu lado”, disse Roberto diante das flores do jardim. O tempo estava calmo e fazia uma manhã linda, como há muito tempo não fazia. O ar estava frio e Roberto sentia-o pelo cheiro das flores. Respirava fundo. Há seis dias ele passava as manhãs procurando algo que lhe confortasse e o cheiro das flores lhe dava esse prazer. Era o mesmo jardim em que passava correndo quando era uma criança agitada e feliz. Escolhia as mais lindas flores e levava com carinho para presentear sua mãe ao chegar em casa. “Te amo mãe. Essa flor foi o vento que trouxe junto com a chuva”. A mãe de Roberto segurava o choro que era difícil de perceber em seus olhos. Durante a janta ficava observando a sensibilidade que seu filho tinha para com as belas coisas da vida.

Todas as lembranças vinham à mente de Roberto lhe trazendo uma sensação boa para escolher as belas flores. As mais feias deixava escapar de seus olhares, devia ser por pena ou por não saber amá-las, mas sorria para elas com simpatia, pois não sabia desprezar. Regava as que sentiam sede e lhe dava sombra quando precisavam. Aprendeu a cuidar delas com sua avó quando ainda era criança. “Um dia saberá por que cuido bem das flores e terá uma que dedicará uma paixão especial para não deixá-la ir embora”, Roberto não entendeu as palavras de sua avó. Entendeu o sentido, muito tempo depois, quando conheceu Beatriz.

A vitamina que colocava na água para regar as flores havia acabado e Roberto achou melhor comprar quando sentiu falta disso. “Elas devem sentir falta disso assim como eu sinto falta de algo”, pensou antes de ir até a floricultura mais próxima. Ao entrar, se aproximou do balcão e foi surpreendido por uma beleza que fez com que o ar do ambiente ficasse registrado em seus pensamentos. “Posso lhe ajudar”, disse Beatriz. Por ironia do destino, as flores sempre fizeram com que Roberto se sentisse feliz. Elas souberam lhe retribuir todo o carinho que sentia por elas, e em meio a tudo isso acharam melhor recompensar com um presente que partilhasse do mesmo gosto. As flores sabem amar também.

Hoje, sempre quando Roberto está no jardim, retribui o presente que ganhou, cuida bem das flores e leva todos os dias uma para Beatriz para ver sua felicidade. Com isso, Roberto passou a ter novos prazeres: cozinha, escreve, joga pedrinhas no lago e dormi em baixo da árvore lendo. A vida é simples demais e aprendeu com sua avó a alimentar uma paixão para que ela lhe fizesse bem. Poderia ter rejeitado as flores, mas como pode fazer uma coisa dessas quando já faz parte da sua vida. Roberto sabia que as flores são para amá-las.

 Para Luciana Porto, com carinho.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tiago a criança que não sabe se defender!

O que seria da minha vida sem um amigo. Essa história é bem legal, saiu da imaginação da carol:

Eu apresento a história: "Tiago a criança que não sabe se defender!"
Tiago é um menino de classe média, totalmente capitalista e criado em prédio, que está simplesmente apreciando a vista da bela cidade. Quando se aproxima este rapaz na tentativa de fazer mal a essa pobre criança.
Pobre Tiago! :(

Mas como eu já disse, Tiago é um menino idiota que não sabe quando o mal se aproxima!!!
Perceba, por favor, a inocência de nossa criança. Vamos ajudar o Tiago?

Com a sua vubração positiva nosso protagonista percebeu o que estava acontecendo ao seu redor, parou de pensar na louca e se defendeu do inimigo, que espertamente disfarçou.