terça-feira, 31 de janeiro de 2012

No meio do caminho tinha uma flor...

“Quero viver ao lado da mais linda flor para sentir que sou feliz ao seu lado”, disse Roberto diante das flores do jardim. O tempo estava calmo e fazia uma manhã linda, como há muito tempo não fazia. O ar estava frio e Roberto sentia-o pelo cheiro das flores. Respirava fundo. Há seis dias ele passava as manhãs procurando algo que lhe confortasse e o cheiro das flores lhe dava esse prazer. Era o mesmo jardim em que passava correndo quando era uma criança agitada e feliz. Escolhia as mais lindas flores e levava com carinho para presentear sua mãe ao chegar em casa. “Te amo mãe. Essa flor foi o vento que trouxe junto com a chuva”. A mãe de Roberto segurava o choro que era difícil de perceber em seus olhos. Durante a janta ficava observando a sensibilidade que seu filho tinha para com as belas coisas da vida.

Todas as lembranças vinham à mente de Roberto lhe trazendo uma sensação boa para escolher as belas flores. As mais feias deixava escapar de seus olhares, devia ser por pena ou por não saber amá-las, mas sorria para elas com simpatia, pois não sabia desprezar. Regava as que sentiam sede e lhe dava sombra quando precisavam. Aprendeu a cuidar delas com sua avó quando ainda era criança. “Um dia saberá por que cuido bem das flores e terá uma que dedicará uma paixão especial para não deixá-la ir embora”, Roberto não entendeu as palavras de sua avó. Entendeu o sentido, muito tempo depois, quando conheceu Beatriz.

A vitamina que colocava na água para regar as flores havia acabado e Roberto achou melhor comprar quando sentiu falta disso. “Elas devem sentir falta disso assim como eu sinto falta de algo”, pensou antes de ir até a floricultura mais próxima. Ao entrar, se aproximou do balcão e foi surpreendido por uma beleza que fez com que o ar do ambiente ficasse registrado em seus pensamentos. “Posso lhe ajudar”, disse Beatriz. Por ironia do destino, as flores sempre fizeram com que Roberto se sentisse feliz. Elas souberam lhe retribuir todo o carinho que sentia por elas, e em meio a tudo isso acharam melhor recompensar com um presente que partilhasse do mesmo gosto. As flores sabem amar também.

Hoje, sempre quando Roberto está no jardim, retribui o presente que ganhou, cuida bem das flores e leva todos os dias uma para Beatriz para ver sua felicidade. Com isso, Roberto passou a ter novos prazeres: cozinha, escreve, joga pedrinhas no lago e dormi em baixo da árvore lendo. A vida é simples demais e aprendeu com sua avó a alimentar uma paixão para que ela lhe fizesse bem. Poderia ter rejeitado as flores, mas como pode fazer uma coisa dessas quando já faz parte da sua vida. Roberto sabia que as flores são para amá-las.

 Para Luciana Porto, com carinho.

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