segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desdobramento

Existia aquele lugar secreto que se chamava o Jardim dos Amores. Era um imenso quintal onde havia um lindo jardim. Aquele jardim pertencia à Laura, lá ela compartilhava conversas, amores, expectativas e sonhos. Era um lugar em que sempre se sentia bem. Para Laura, passar as tardes no quintal era como voar. Certo dia compartilhou aquele imenso quintal com Caio, seu primeiro amor, e lá o tempo tinha horas que rebobinavam lembranças a todo instante. Laura sentia o silencio lhe abraçar e dividia com Caio o sorriso que lhe mostrava a importância que um fazia ao outro. O lugar passou a ser como o mar que ia e vinha ao som do vento. Laura passou a ser que nem Caio, com dúvidas, vontades, sentimentos, esperanças. Estava amando.

Laura e Caio brincavam de que eram namorados para disfarçarem seus sentimentos. Isso fazia com que não se separassem e nem criassem expectativas um sobre o outro. Tinham a certeza de suas escolhas e conversavam sempre de como seria futuramente quando um se enchesse do outro. Chegavam a conclusões sobre assuntos que ninguém entendia e concordavam sempre com a opinião oposta.  Gostavam de coisas diferentes, mas tinham um jeito em comum, eram parecidos na desobediência. Ao mesmo tempo em que iam se acostumando com o jeito um do outro, deixavam de perceber pequenos detalhes de suas diferenças. Levaram isso até descobrirem que não estavam mais brincando, e cansaram. Seguiram a mesma linha, mas com pontos diferentes. Talvez se lembrem um do outro quando encontrarem características parecidas.

*São poucas às vezes que costumo dá importância ao que realmente gosto. Percebo depois, quando já estou gostando e não faço a mínima ideia de como começou. As coisas vão acontecendo em sua vida e você só tem que saber direcioná-las. Perde aqui pra ganhar logo a frente. Queria pedir desculpas ao poucos leitores que ainda lêem o blog, se ainda tiver leitores. Eu hoje mesmo não estou nem pra mim, mas consegui escrever esse textinho que poderia ser rasgado.    

domingo, 4 de novembro de 2012

Derramando Shakespeare

A sombra brinca no canto da parede como o reflexo da luz na água. Pela estante o olhar se deita sobre uma porção de devaneios instigantes-contestadores-amáveis-singelos-eróticos. Minha utilidade em desdobrar pensamentos mede esforços para lhe dá com o mundo e aceitar o óbvio, o grito aqui dentro é um grande silêncio. Lá fora há uma grande possibilidade das coisas me proporcionarem vontades inspiradoras, mas elas acabam se dissolvendo pelo caminho por que o real me faz acordar e quebrar todo o encanto. Meio que balanço sobre as dúvidas de Hamlet e acabo-me encontrando no jogo. Levanto, luto pra ganhar. Ainda ouço murmúrios. A arte me sustenta e faz lembrar o que sou, meu olhar através dela é um descobridor de mundo. Procuro me ater na trajetória de um passado para me adaptar no presente e prosperar no futuro. Por trás do choro aparece um sorriso que acorda minhas imaginações, amanhã talvez encontre alguém para deitar sobre a grama molhada e descobrir segredos. Vou dormir com uma leve esperança de que isso não aconteça. Não me importo, pois a bela-música-velha que ouço me inspira e faz sentir o gosto de um tempo que vivi. Transformo toda essa beleza num amor eterno, num orgasmo como a de Romeu e Julieta, e transbordo de felicidade.