sexta-feira, 29 de março de 2013

No final do dia a gente assisti

Eu fiquei assistindo as nuvens hoje deslizando no céu. Eu ficava redobrando pensamentos para buscar uma compreensão sistemática de mim mesmo. Fazia tempo que não avaliava se estava bem ou não. Quase como uma terapia, você se senti bem melhor com coisas simples e a tua autoestima aparece num piscar de olhos. Foi assim que me sentir quando deitei naquela grama, que apesar de limpa, me deixava bem mais a vontade que a rede onde dormia. A calma daquele verde estendido me fez presta atenção no barulho do vento. A sonoplastia me evolvia bem como os pensamentos me carregavam. Hoje o dia amanheceu como um lençol branco estendido no varal, meio molhado e com ar de tranquilidade. O dia estava preguiçoso. Te convidei em pensamentos para deitar ao meu lado e assistir o vazio que o céu ocupa. Te fiz perde a noção da realidade e acreditar nas nossas imaginações que pareciam ser mais seguras. Eu fiquei te aguardando de olhos fechados até o final da tarde quando o escuro começou a borrar o nosso céu. Eu respirei fundo para segurar tua mão e não te deixar ser levada para outro horizonte. Eu dei socos ao vento no meio do desespero que lampejavam a distancia. Eu mais uma vez disse:

“Vem fazer comigo a
Canção da noite escura,
Vem ouvir o silêncio
E relembrar pensamentos.
Vem passar o tempo como
Se não houvesse nada amanhã.
Vem acalmar os meus sonhos”.

Tá bom dia, pode passar, eu deixo. Ainda tenho um leve sorriso que me confortará até o amanhã chegar. Ainda tenho aquele pequeno pedaço de céu azul-branco, o vento guardado em meus pulmões, a sonoplastia no pensamento e a autoestima em meus sonhos. Não que eu me conforme com isso, mas a melhor coisa do dia é quando chega a hora de dormir e todo o resto some. A vida cruza um espaço-tempo e tu és o teu próprio público que te assiste de baixo pra cima. Amanhã a gente muda e assisti outra coisa e rir novamente.